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CETAS / CRAS

PROJETO DE IMPLANTAÇÃO DE UM CENTRO DE MANEJO DE ANIMAIS SILVESTRES – CETAS/CRAS/CEMAS

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

            O Brasil apresenta números relevantes em relação à biodiversidade no mundo, abrigando mais de 10% dos seres vivos catalogados no planeta. Apesar dessa posição privilegiada a redução de habitats devido à devastação das florestas, à crescente ocupação humana, a exploração econômica e a retirada de animais silvestres já causaram a extinção de inúmeras espécies e conseqüentemente um desequilíbrio ecológico.

O tráfico de animais silvestres é considerado a terceira maior atividade ilícita do mundo. Esse comércio movimenta cerca de 10 a 20 bilhões de dólares em todo o mundo. O Brasil participa com 15% desse valor, cerca de 2 bilhões de dólares por ano.

Calcula-se que o tráfico de animais silvestres retire, anualmente, cerca de 12 milhões de animais de nossas matas; outras estatísticas estimam que o número real esteja em torno de 38 milhões.

Para combater essa prática os órgãos governamentais realizam ações de fiscalização na tentativa de coibir os crimes contra a fauna e apreender animais vitimados ou comercializados ilegalmente.

Segundo a legislação, os animais apreendidos devem ser prioritariamente soltos, e para isso, o Centro de Triagem de Animais Silvestres – CETAS visa prestar um atendimento integral ao animal desde a sua recepção até sua destinação final, em trabalhos conjuntos com os centros de reabilitação de animais silvestres – CRAS, a possibilidade de sucesso desses animais aumenta significativamente, uma vez que para o animal destinado a soltura todo um trabalho de readequação deve ser realizados.

O Centro de Manejo de Animais Silvestres (CEMAS) tem como objetivo principal receber e manter animais silvestres oriundos de apreensões realizadas pelos órgãos ambientais, até que possam ser transferidos para um zoológico ou criadouro cadastrado no IBAMA, ou então quando o processo de reabilitação puder ser viabilizado, reintroduzindo o animal à natureza.

A permanência do animal no CEMAS deve ser, necessariamente, de caráter temporário. Assim, será possível que o Centro tenha seus recintos liberados para o recebimento de novas apreensões, permitindo uma dinâmica nas ações dos órgãos de fiscalização. Contudo, acima das questões que regem a dinâmica das ações de fiscalização o CEMAS deve priorizar o bem estar dos animais apreendidos, e a determinação do melhor destino possível para aqueles animais já avaliados. Sendo assim, o caráter temporário da permanência dos animais dependerá de fatores internos ao Centro e da disponibilidade de destino adequado.

O trabalho de recepcionar e triar animais implica em registrar a entrada de cada indivíduo, identificando qual é a espécie e o sexo (quando possível), buscando o máximo de informações quanto ao local em que foi capturado e/o tempo de cativeiro, verificando qual é o habitat da espécie, e alojando os animais em local adequado para receberem o devido tratamento. Após serem examinados, os animais ficam sob quarentena para receber nutrição adequada e sob observação para identificar o aparecimento de possíveis doenças. Durante esse período, a equipe de técnicos do Centro deve estudar o melhor destino para os animais, o que constitui o trabalho de triagem em si (IBAMA, www.ibama.org.br).

O destino dos animais apreendidos será preferencialmente zoológicos, criadouros registrados no IBAMA, e centros de pesquisa. Solturas são, sempre que possível, vinculadas à programas específicos de manejo para as diferentes espécies. Animais ameaçados de extinção são tratados de maneira especial, caso a caso, seguindo recomendações de comitês nacionais e internacionais, quando existentes.

O CEMAS deve se caracterizar como um serviço de proteção animal voltado à preservação das espécies (BRANCO, 1999).

 

2 JUSTIFICATIVA

 

            Devido a nossa grande biodiversidade, o Brasil é um dos principais alvos dos traficantes de animais silvestres, e apesar de todos os problemas, legislações e restrições, o comércio ilegal da fauna silvestre, suas partes e produtos vêm aumentando por ser um comércio bastante lucrativo, possuindo variadas e novas técnicas de contrabando.

A existência dos Centros de Manejo de Animais Silvestres justifica-se pela necessidade de implantação de estruturas capazes de reabilitar os animais apreendidos pelos órgãos de fiscalização.

Além dos animais apreendidos, os CEMAS recepcionam os espécimes recolhidos em meio urbano ou entregues por particulares. Em todas as cidades brasileiras, animais domésticos e silvestres são abandonados diariamente por seus donos que, devido à ausência de Centros especializados, são entregues a Zoológicos e a Criadores registrados.

Muitos zoológicos e criadores deixaram de receber esses animais devido à super lotação dos seus recintos. Com isso, grande parte dos animais são liberados inadequadamente em áreas de mata urbana e, também, em cursos d’água. Essa atitude possibilitou o estabelecimento de populações de animais fora da sua área de ocorrência. Apesar de poucos estudos específicos sobre o impacto desses indivíduos nas populações locais, sabe-se que, após a supressão de habitats, a introdução de fauna fora do seu ambiente de ocorrência natural é o segundo maior fator de perda de diversidade.

O resgate de animais silvestres representa um importante fator na manutenção da diversidade da fauna silvestre, no meio alterado pelo homem. Animais feridos ou advindos de conflito com a população podem ser encaminhados aos centros de manejo de fauna silvestre para recuperação e, depois de avaliada sua condição de adaptação à vida silvestre, retornar à natureza.

Além disso, o IBAMA tem bastante dificuldade para o encaminhamento dos animais oriundos de apreensões e doações, pois são poucos os locais destinados. Os únicos CETAS hoje existentes no Paraná são da PUCPR, um localizado em Tijucas do Sul e o outro, há pouco tempo autorizado, no campus de Toledo. Existem outros criadouros autorizados, mas a estrutura é pequena para atender a demanda.

            Dessa maneira, há uma grande necessidade de criar novos locais específicos para recepcionar e tratar os animais recebidos e capturados para que possam ser devolvidos à natureza.

        

3 OBJETIVOS

 

3.1 Objetivo Geral

 

Implementação de um CEMAS para prestar atendimento aos animais silvestres doados, acidentados ou apreendidos pelos órgãos de fiscalização no comércio ilegal para primordialmente reintegrá-lo à natureza.

 

3.2 Objetivos Específicos

 

  • Receber, identificar, tratar, manter e destinar os animais silvestres apreendidos pela fiscalização dos órgãos ambientais (IAP, BPFlo, IBAMA e prefeituras locais);

  • Propiciar aos animais condições de tratamento com espaço físico, alimentação, atendimento veterinário e acompanhamento biológico adequados;

  • Manter registro e controle de dados biológicos e veterinários dos animais silvestres que passam pelo Centro, fornecendo subsídios às instituições envolvidas com o manejo da fauna;

  • Realizar a reabilitação de animais silvestres;

  • Realizar solturas de animais silvestres;

  • Manter banco de dados com informações sistematizadas e estatísticas sobre recebimento e destinação de fauna, bem como procedência dos animais e possíveis rotas de tráfico;

  • Realizar e manter o cadastro de áreas propícias para a reintrodução dos animais silvestres;

  • Manter cadastro de criadouros e outras instituições assemelhadas que poderão atuar como receptoras de fauna silvestre;

  • Utilizar técnicas de marcação e de monitoramento pós-reintrodução dos animais silvestres na natureza;

  • Controlar zoonoses e doenças dos animais silvestres avaliados;

  • Fomentar pesquisa científica;

  • Manter um intercâmbio de informações entre as instituições parceiras;

  • Possibilitar treinamento de pessoal na área de clínica e manejo de animais silvestres;

  • Prestar informações sobre a fauna silvestre;

  • Executar projetos e programas na área de fauna silvestre;

  • Fazer a publicação e divulgação de trabalhos científicos;

  • Propor convênios e parcerias com instituições públicas ou privadas, nacionais ou internacionais na área de fauna silvestre, a fim de esforços conjuntos para a preservação das espécies e seu habitat, bem como para obtenção de recursos financeiros e humanos para o desenvolvimento dos seus objetivos.

 

 

4 METODOLOGIA

 

            O CEMAS irá atender três finalidades: a proteção dos animais, a pesquisa e a educação ambiental.

            Os animais serão manejados e reabilitados de maneira a possibilitar sua soltura na localidade de procedência. Os animais que não se reabilitarem deverão ser encaminhados para zoológicos, criadouros e instituições de pesquisa com a devida autorização do IBAMA.

            As ações a serem desenvolvidas no CENTRO serão:

 

Setor de Recepção, Identificação, Assistência Médico-veterinária e Triagem             

 

  • Receber os animais encaminhados pela fiscalização;

  • Identificar a que espécie os animais pertencem, sua área de ocorrência natural, bem como sua distribuição geográfica natural;

  • Recolher informações adicionais referentes à origem imediata dos animais, situação de cativeiro e apreensão, ou outras informações que contribuam na determinação das rotas de tráfico e formas de uso da fauna;

  • Documentar a retenção do animal no Centro, devidamente identificado;

  • Documentar todos os procedimentos adotados em fichas próprias;

  • Colocar todo o animal recebido em quarentena ou internação;

  • Prestar assistência médico-veterinária clínica e cirúrgica aos animais durante a quarentena;

  • Realizar exames complementares de diagnóstico;

  • Realizar a higienização e esterilização dos materiais hospitalares;

  • Avaliar criteriosamente  possíveis zoonoses e notificar quando houver confirmação, ou dúvida razoável;

  • Identificar os animais através de marcação individual (anilhas, tatuagens, brincos, transponders, colares, ou outros métodos);

  • Dar alta ao final da quarentena ou internação, liberando o animal para sua destinação final;

  • Indicar segundo características sanitárias, físicas ou comportamentais dos animais em quarentena qual será o destino provável, ou seja, programas de cativeiro, ou reabilitação;

  • Realizar Necropsia dos animais recebidos que vierem a óbito durante sua permanência no CEMAS;

  • Emitir laudos e pareceres técnicos quando solicitado ou em situações de relevante interesse às espécies ou pessoas envolvidas;

  • Encaminhar peças biológicas a museus ou outras instituições de pesquisa;

  • Fazer a solicitação de materiais e equipamentos necessários ao funcionamento do Setor;

  • Prestar relatórios técnicos mensais à Administração.

 

 

Setor de Reabilitação e Espera

 

  • Assistir os animais de forma a readquirirem as condições anatômicas e funcionais, por meio de técnicas de treinamento físico e comportamental, visando a sua relocação na natureza;

  • Realizar soltura dos animais reabilitados;

  • Dar destinação apropriada aos animais que necessitem permanecer em cativeiro;

  • Manter cadastro de criadouros e outras instituições assemelhadas que poderão atuar como receptoras dos animais que permanecerão cativos;

  • Documentar todos os procedimentos adotados em fichas próprias;

  • Prestar relatórios técnicos mensais à Administração.

 

 

Dando suporte ao setor de Recepção, Identificação, Assistência Médico-veterinária e Triagem e ao setor de Reabilitação e Espera, existe a Seção de Nutrição Animal e Ambientação, que possui as atribuições de:

 

  • Elaborar e ministrar cardápio a cada animal, atendendo suas necessidades biológicas e recomendações médicas;

  • Fornecer a alimentação aos animais internados;

  • Manter o biotério em funcionamento;

  • Adequar o ambiente de cativeiro às espécies alojadas, a fim de facilitar sua recuperação médica ou comportamental, bem como reduzir o estresse inerente ao cativeiro;

  • Realizar a higienização e desinfecção dos recintos, áreas de manejo, cambiamentos, equipamentos e utensílios de nutrição e alimentação;

  • Fazer a solicitação de materiais e equipamentos necessários ao funcionamento da seção;

  • Prestar relatórios técnicos mensais à Administração.

 

Setor Técnico de Biologia e Manejo da Fauna

 

  • Realizar o mapeamento e cadastro de áreas propícias para a soltura dos animais, respeitando sempre a área de distribuição geográfica das espécies;

  • Realizar levantamento preliminar de flora e fauna, tamanho da área, estimativas de densidade das diferentes espécies da comunidade local de fauna, existência de suporte alimentar e locais para abrigo e reprodução;

  • Avaliar a segurança das áreas indicadas como propícias às solturas;

  • Realizar acompanhamento após a reintrodução dos animais na natureza;

  • Propiciar treinamento e aperfeiçoamento técnico;

  • Prestar relatórios técnicos mensais à Administração;

  • Elaborar projetos, participar de campanhas de educação ambiental, bem como ministrar palestras de educação ambiental.

 

Como Deverá Funcionar A Recepção Dos Animais No CEMAS

 

O animal chegando ao CEMAS será recepcionado no Setor de Recepção, Identificação, Assistência Médico-veterinária e Triagem, onde será submetido a procedimentos de avaliação (Figura .....). Inicialmente, os animais serão identificados e será preenchido o prontuário médico, com informações sobre a espécie a que pertence, o sexo, idade aproximada, procedência e distribuição geográfica natural. Neste setor, será feita ainda a avaliação médica e biológica do animal, realizando-se coletas de material biológico (sangue, fezes, ectoparasitos) destinado a exames parasitológicos e outros complementares.

Quando houver necessidade será realizado tratamento clínico e/ou cirúrgico. Animais que porventura vierem a óbito ou sejam submetidos à eutanásia[1], durante o processo de triagem serão destinados, após necropsia e emissão de laudo técnico, a museus ou instituições de pesquisa para o preparo de peças biológicas. Após alta clínica, ou período de quarentena o animal que esteja apto à reabilitação, ou aqueles que permanecerão em cativeiro serão encaminhados ao Setor de Reabilitação e Espera.

Ao ser encaminhado ao Setor de Reabilitação e Espera o animal receberá todo tratamento necessário para sua reabilitação anatômica e funcional, visando a sua soltura na natureza. Na medida do possível deverão existir programas específicos de reabilitação para os principais grupos de animais que rotineiramente sejam submetidos a esse processo. Tais projetos devem contemplar aspectos relativos aos procedimentos pré-soltura e formas de acompanhamento pós-soltura. Tal necessidade é justificada pelo fato de que a eficiência de um programa de reabilitação só pode ser comprovada se os resultados forem positivos, ou seja, se os animais reabilitados foram capazes de sobreviver e se reproduzir onde foram liberados. Os resultados além de comprovar a eficiência dos trabalhos pré-soltura, também servem para remodelar essas técnicas, conferindo maior eficiência a todo o processo. Os animais sem condições de soltura permanecerão no centro aguardando até que seja determinado seu destino. Na determinação dos locais mais apropriados para o recebimento dos animais o centro deverá manter boa comunicação com instituições científicas, criadouros regularizados e zoológicos, os quais possam servir como destinatários legais da fauna apreendida. A escolha do local de destino deve ser criteriosa, a fim de proporcionar aos animais boas condições de manutenção no futuro, ou que esses sejam integrados a programas de desenvolvimento científico ou de reprodução em cativeiro.

A Seção de Nutrição Animal e Ambientação dará suporte aos setores de Recepção, Identificação, Assistência Médico-Veterinária e Triagem e ao de Reabilitação e Espera, através do acompanhamento nutricional dos animais. O técnico responsável pelo setor terá de elaborar dietas específicas por espécie ou grupo taxonômico, além de elaborar cardápios que supram as necessidades clínicas dos animais em tratamento e reabilitação, conforme o solicitado pelos setores citados acima. A seção será responsável pela manutenção do biotério que terá sua produção voltada para criação de pequenos roedores, insetos e também a manutenção temporária de filhotes de aves domésticas para alimentação de animais mantidos no CEMAS.

Os tratadores, subordinados a essa seção, serão responsáveis pela distribuição dos alimentos aos animais mantidos no CEMAS. Adicionalmente, serão responsáveis pela limpeza e manutenção dos recintos, além de ambientar os animais à presença humana. Isso se justifica pelo fato de que os tratadores serão as pessoas com maior contato com os animais, o que facilita a implantação das estruturas internas necessárias a ambientação. Além disso, os tratadores poderão observar com maior facilidade qualquer alteração nas estruturas físicas do recinto que possam ser  prejudiciais aos animais.

As áreas propícias para a soltura dos animais reabilitados serão indicadas pelo setor de Biologia e Manejo da Fauna, que realizará o mapeamento e a caracterização prévia dos locais apropriados, incluindo inventários de flora e fauna, capacidade de suporte, existência de locais para procriação e segurança para os animais reabilitados. A caracterização dos locais para soltura dos animais reabilitados poderá ocorrer em áreas particulares, ou públicas. Preferivelmente, as UC’s não devem ser utilizadas para esse fim, a menos que fique claro durante a caracterização da área que há uma necessidade urgente de introduzir animais em tais unidades. Tal cautela é necessária, pois deve ser considerado o risco que a soltura nestas áreas poderiam acarretar no equilíbrio da dinâmica das populações já existentes no local, o que é inerente ao processo de reabilitação. Este setor ficará incumbido também de realizar o acompanhamento dos animais após a sua soltura, bem como avaliar o impacto dessas solturas nas áreas utilizadas, através da aplicação de técnicas e métodos de monitoramento apropriados a cada espécie e habitat.

Em síntese, o modelo de manejo da fauna apreendida, proposto para o Estado do Paraná, caracteriza-se como importante componente do funcionamento e da necessidade de manejar a fauna nativa de forma global, contemplando aspectos mais amplos do que apenas o recebimento e cuidados com a saúde dos indivíduos.

O aspecto mais relevante e atuante do programa inclui uma seção de Biologia e Manejo da Fauna a qual demonstra não só a preocupação com a saúde individual dos animais apreendidos, mas também, a necessidade do Estado em zelar pela saúde das populações selvagens e do habitat onde vivem. Esse setor fica responsável por todo o levantamento das características biológicas e sanitárias dos locais destinados à soltura dos animais reabilitados. Adicionalmente, responde pela avaliação de todo o programa de reabilitação, pois são os resultados obtidos em campo que comprovam a eficiência ou as deficiências do modelo e das técnicas utilizadas.

 

 

4.1 Procedimentos com o animal no CEMAS

 

 Fluxograma de movimento dos animais no CEMAS

 

 

 

 

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4.2 Capacitação Técnica e Desenvolvimento de Pesquisa

 

            Por meio de convênios com universidades, o CETAS representará uma estrutura importante na capacitação de estudantes, para o futuro exercício da profissão. Além da capacitação técnica, programas técnico-científicos poderão ser implantados, com o objetivo de gerar conhecimento nas diversas áreas correlatas. Estagiários, pesquisadores e estudantes poderão contar com toda a infra-estrutura já disponível no CEMAS e, como contrapartida, os resultados das pesquisas permitirão melhor manejo dos animais.

Diversas linhas de pesquisa poderão ser desenvolvidas no CEMAS. Estudos nas áreas de comportamento animal, medicina veterinária, nutrição e genética englobam atividades multidisciplinares, permitindo a atuação de diversos profissionais.

 

4.3 O papel do CEMAS na Educação Ambiental

 

Os CEMAS, como agentes de contribuição à preservação da fauna, possuem a obrigação de divulgar as suas atividades, mostrando a importância de cada indivíduo no combate ao tráfico de animais silvestres. Para isso, o processo de recebimento e recuperação dos animais deve ser digno de divulgação.        

Dessa forma, o CEMAS estará aberto à visitação pública. Por intermédio de visitas monitoradas, a população poderá conhecer algumas de suas instalações e receber informações sobre os animais internados, fauna silvestre, tráfico de animais e meio ambiente.

Algumas das instalações poderão dispor de paredes com visores, possibilitando aos visitantes a observação de procedimentos. Os trabalhos que não puderem ser expostos poderão ser apresentados em painéis de comunicação visual.

Para a exposição de locais que alojam animais silvestres será necessária a obtenção da devida autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, lembrando que na área de reabilitação de animais silvestres não é permitida a entrada de pessoas estranhas ao serviço.

Outra forma de colaboração na área da educação será por meio da realização de palestras. Para atender essa demanda deverão ser editadas fitas de vídeo, CD-ROM e publicações que facilitarão os trabalhos de divulgação. Todas essas informações também poderão estar disponíveis via Internet.

 

5 PERSPETIVA DO CEMAS

 

Considerando os grupos animais mais freqüentes, o volume de ocorrências ao longo do ano e a dinâmica do processo de triagem, destinação e reabilitação, o CEMAS deverá possuir uma estrutura física composta por:

 

  • Hospital de Triagem;

  • Sala de Necropsia;

  • Sala de Nutrição;

  • Biotério;

  • Lavanderia;

  • Oficina geral;

  • Vinte recintos fechados na parte superior, para Quarentena;

  • Vinte recintos fechados na parte superior, para Reabilitação e Espera;

  • Dez recintos abertos na parte superior, para reabilitação e Espera,

  • Cinco recintos fechados na parte superior, para Visitação.

  • Sala de técnicos do setor de Reabilitação e Espera e para o setor de Biologia e Manejo da Fauna.

 

            O Hospital de Triagem representa a estrutura mais complexa do CEMAS, pois como unidade isolada deve ser capaz de receber, identificar, avaliar clinicamente e dar tratamento aos animais recebidos. Para tanto, deve contar com auxílio diagnóstico no local, compostos principalmente por um laboratório clínico básico e equipamento de raios-X. A necessidade de procedimentos cirúrgicos é relativamente freqüente durante o processo de reabilitação da fauna apreendida, o que torna necessário uma estrutura destinada à realização desses procedimentos.

            Uma parcela considerável dos animas apreendidos necessita de cuidados especiais durante a quarentena, o que torna necessário uma área para internação bem estruturada e próxima ao ambulatório e laboratório. Para tornar o serviço médico-veterinário hospitalar mais eficiente, propõe-se que essa área seja interna ao hospital, com possibilidade de deslocar os pacientes internados para áreas de solário. Para tanto, indica-se que os animais sejam internados em dois tipos de recintos: fixos com acesso direto ao solário e gaiolas móveis, que são deslocadas para o pátio externo quando necessário.

            Adicionalmente, o Hospital de triagem deve possuir: uma sala de recebimento e pré-triagem, um escritório para abrigar os documentos clínicos e de registro dos animais, uma sala de técnicos, um depósito, um alojamento, um vestiário e uma copa. apresenta o anteprojeto do Hospital de Triagem.

            Como apoio às atividades médicas deverá existir também uma sala de Necropsia, a qual deverá ser, preferencialmente, separada do hospital de triagem. Além de ser o local onde serão realizados os exames macroscópicos pós-morte, a sala de Necropsia se destina a manter os cadáveres antes do procedimento de Necropsia, e as peças anatômicas e peles antes dessas serem encaminhadas a centros de pesquisa e museus. Desta forma, deverá ser equipada com freezer e câmara fria.

            Finalmente, o hospital de triagem terá apoio da lavanderia responsável pela limpeza de campos cirúrgicos, compressas, aventais, macacões e outras rouparias utilizadas na manutenção e tratamento dos animais.

 

 

Anteprojeto da estrutura básica para um Hospital de Triagem para animais silvestres da fauna nativa.

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Anteprojeto da estrutura básica para uma sala de necropsia.

A seção de Nutrição e Ambientação terá como principais estruturas a Sala de Nutrição, o Biotério e a Oficina Geral. A sala de Nutrição será o local onde serão preparados os alimentos para os animais, conforme suas necessidades específicas e individuais. Nessa estrutura serão também mantidos os estoques de alimentos e o local onde utensílios como comedouros e cochos de alimentação serão lavados e desinfetados ( figura..)A sala de Biotério (Figura )  também será mantida pela seção de Nutrição e Ambientação, devido ao fato de que a escala produtiva do biotério e o material consumido naquele local serão diretamente comandados pela demanda alimentar dos animais recebidos pelo CEMAS. A atribuição da Seção de realizar a manutenção da estrutura interna dos recintos, e adequar o ambiente à espécie mantida justifica o fato de que a oficina geral esteja sob sua responsabilidade. 

 

 

Figura  Anteprojeto da estrutura básica para uma sala de nutrição para o CEMAS.

Figura: Anteprojeto da estrutura básica para uma sala de biotério para o CEMAS.

A estrutura básica dos recintos será semelhante em todos os tipos e tamanhos previstos (Figuras). Tal estrutura está orientada para facilitar o manejo dos animais, considerando que o recinto também deve ser capaz de abrigar diferentes espécies de aves, répteis e mamíferos. Todo o recinto terá uma área denominada cambiamento, a qual será coberta por telhas e composta por um conjunto de portas, que permitirão que os animais contidos no recinto sejam restritos quando necessário sua manipulação, ou manutenção do recinto.

            Haverá dois tipos principais de recintos: os cobertos por tela, que se destinam à manutenção principalmente de aves, podendo abrigar também diversas espécies de répteis e mamíferos, e um segundo tipo representado pelos recintos abertos, ou seja, sem tela na porção superior. Esses se destinam principalmente à manutenção de mamíferos e répteis terrestres como catetos, veados, jacarés, jabutis e outros animais que não possuem capacidade de escalar as telas que cercam o recinto.

            O CEMAS possuirá dois blocos de Recintos Quarentena e dois blocos de Recintos para Reabilitação e Espera, cobertos por tela (Figuras ). Devido a demanda para manutenção de mamíferos terrestres ser menor, planeja-se a construção de apenas um bloco de recintos abertos (figura).

 

 

 

Figura: Anteprojeto da estrutura básica dos recintos quarentena para o CEMAS, vista superior.

Figura Anteprojeto da estrutura básica para recintos do CEMAS, detalhes do tanque e das portas.

Figura Anteprojeto do bloco de Recintos Quarentena. 

Figura: Anteprojeto do bloco de Recintos cobertos para Reabilitação e Espera. 

Figura: Anteprojeto do bloco de Recintos abertos para Reabilitação e Espera.

O CEMAS ainda deverá possuir um bloco com cinco recintos para visitação, os quais serão idênticos aos recintos de quarentena. A função desse bloco de recintos será fornecer um local para que a comunidade possa receber orientações sobre os principais problemas decorrentes da manutenção ilegal de animais silvestres em cativeiro, servindo como instrumento de educação ambiental (Figura).

 

 

Figura: Anteprojeto do bloco de Recintos para Visitação.

PREVISÃO ORÇAMENTÁRIA

 

Toda a estrutura administrativa e técnica ideal planejada para o CEMAS somaria um total aproximado de 3.400 m2 de área construída (figura), com um custo aproximado de implantação física de R$ 1.500.000.00.

Todavia, para adequar às necessidades prementes poderia ser feito o CEMAS com 50% do projeto acima, a um custo aproximado de R$ 750.000,00

Cumpre esclarecer que a implantação depende de outros fatores e acima de tudo de um planejamento arquitetônico detalhado, o qual deverá ser orientado por técnicos com experiência em triagem e manejo de fauna em cativeiro.

 

 

Figura: Anteprojeto de implantação do CEMAS.

Da mesma forma, os custos operacionais não poderão ser estimados com precisão nesse momento, pois a estrutura administrativa e técnica poderão assumir dimensões diferentes do planejamento prévio proposto nesse momento. Ainda deve-se considerar que entre os custos de implantação estarão os custos para equipar os setores relacionados às áreas hospitalares, nutrição, biotério e equipamentos necessários ao trabalho básico do setor de Biologia e Manejo da Fauna, incluindo ainda, custos com veículos e mobília para todo o CEMAS.

            Assim como os custos de implantação ficam imprecisos sem o planejamento arquitetônico, os custos operacionais ficam também imprecisos sem um planejamento administrativo que determine qual o valor salarial e o número de técnicos envolvidos no serviço do CEMAS.

Adicionalmente, a natureza do trabalho do CEMAS torna imprecisa qualquer tentativa de estimar custos operacionais por unidade de tempo. Isso se explica pelo fato de que a chegada de animais não obedece a qualquer cronograma sazonal, sendo inteiramente dependente do esforço da fiscalização

            Contudo, estima-se um acréscimo de R$ 100.00,00 a R$ 200.000,00 ao custo de implantação para aquisição de equipamentos hospitalares, material de contenção e transporte, equipamento de campo, seção de nutrição, biotério e outras áreas técnicas. De mesma forma, o custo operacional com gastos de manutenção, medicamentos e alimentação podem ser estimados utilizando como base de cálculos a lotação de 500 aves, 100 mamíferos e 100 répteis por ano. Se for considerado que a média mensal de animais mantidos, somando todos os setores, seja de 250 aves, 50 mamíferos de médio e pequeno porte e 50 répteis (quelônios), por mês tem-se um gasto médio de R$ 6.000,00 e R$ 10.000,00, considerando os gastos médios declarados por outros centros de triagem. Em anexo segue a listagem de equipamentos e material básico a implantação do CEMAS, bem como a necessidade ideal de pessoal por setor.

 

Estrutura de Pessoal

 

            A dinâmica de funcionamento de um centro de recepção e triagem de fauna silvestre é eminentemente voltada ao diagnóstico e solução de problemas, dessa forma justifica-se a necessidade de profissionais de nível superior com capacidade técnica comprovada e experiência em manejo de fauna, in situ e ex situ. Apesar de que grande parte das apreensões segue um padrão de espécies, tendo as aves como principal grupo apreendido, essa dinâmica pode variar de forma imprevista em determinados momentos. Isso gera situações que requerem soluções rápidas para o problema gerado.

 

 

Tabela : Qualificação e Quantidade de pessoal por setor e seção do CEMAS

 

 

6 ÁREA DE IMPLANTAÇÃO

 

           

7 ANIMAIS QUE SERÃO RECEBIDOS NO CEMAS

 

            O CEMAS terá disposição para receber e reabilitar os seguintes grupos de animais:

  • Aves;

  • Mamíferos de pequeno porte (primatas, felinos e canídeos);

  • Répteis (quelônios terrestres e semi-aquáticos).

 

 

8 RECURSOS

 

Os recursos necessários para a implantação do CETAS são:

  • Instalações

  • Equipamentos e materiais

  • Pessoal

 

09 PARCERIAS

 

É importante que as parcerias estabelecidas tenham um alvo direto, ou seja, clareza do problema central que se pretende minimizar ou eliminar, mas que se estendam pelo espectro mais amplo possível do processo em que este problema se insere. A identificação dos atores sociais envolvidos em todos os momentos desse processo é fundamental. Esses atores podem ser, além do próprio IBAMA, o governo do Estado, ONGs, comunidades organizadas, instituições de pesquisa e formação, empresas, entidades corporativas e pessoas interessadas. Os atores são identificados, assim como suas capacidades de ação e seus interesses.

No campo das parcerias, as ações desencadeadoras têm grande importância, pois agregam e abrem espaço. Além de realizar um determinado objetivo imediato, mudam atitudes e rompem processos de inércia social e institucional.

A manutenção dos Centros de Triagem é a parte que mais demanda recursos financeiros do projeto e é a mais importante porque, uma vez implantado um centro, os animais que chegarem a ele precisarão de atendimento especial que, em hipótese alguma, poderá ser interrompido. Para isso, as parcerias são fundamentais.

            As parcerias para a implantação e operação do CEMAS poderão ser obtidas junto ao IBAMA, dos Municípios vizinhos e instituições de ensino e pesquisa.

 

10 CONTRAPARTIDA

 

O Instituto Monte Sinai disponibilizará a área para a implantação do CEMAS, e  o IBAMA disponibilizará recursos a partir de reversão de multas.

Dessa maneira, a implantação do CEMAS ajudará no combate ao tráfico de animais silvestres e à sua criação irregular, disponibilizando locais para o encaminhamento dos animais oriundos de apreensões e doações, e para o manejo desses animais.

Para a instituição de ensino e pesquisa parceira representará uma estrutura importante na capacitação de estudantes, para o futuro exercício da profissão. Além da capacitação técnica, programas técnico-científicos poderão ser implantados, com o objetivo de gerar conhecimento nas diversas áreas correlatas. Estagiários, pesquisadores e estudantes poderão contar com toda a infra-estrutura já disponível no CEMAS e, como contrapartida, os resultados das pesquisas permitirão melhor manejo dos animais.

 

11 DIVULGAÇÃO

 

Com parceiros, o CEMAS poderá oferecer a divulgação por meio de matérias jornalísticas, enviadas para a Imprensa. A cada termo de parceria e a cada ação que envolva a obra ou o projeto financiado, o CEMAS divulgará amplamente, para toda a sociedade, a participação de cada agente envolvido no trabalho.

Há um grande interesse dos meios de comunicação na divulgação de assuntos ligados à fauna e ao meio ambiente.

O desconhecimento em torno das questões que envolvem os animais silvestres desperta grande interesse na população e a mídia lhes tem reservado um grande espaço.

 

12 ABRANGÊNCIA

 

O projeto tem abrangência em todo território nacional tendo em vista receber e destinar animais provenientes de todas as regiões do país, principalmente quando os esforços forem empreendidos para devolver animais às regiões de onde foram capturados.

No caso de animais que devem ser mantidos em cativeiro, esses poderão ser encaminhados para zoológicos ou criadouros de todo o país.

 

 

 

13 GESTÃO

 

A gestão deve ser compartilhada entre o Instituto Monte Sinai Prefeituras da região, o IBAMA, os organismos patrocinadores ou apoiadores, com  supervisão do Ministério Público.

 

 

14 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Os Serviços de Fauna que estão assimilando o conceito CEMAS, independentemente dos nomes que venham a receber, estão contribuindo para o entendimento das relações homem e meio, onde o animal é uma vítima constante do processo desenvolvimentista e deve ser considerado não como um recurso, mas sim como um patrimônio ambiental

 As finalidades do CEMAS são inúmeras e os animais nele atendidos prestam um grande serviço ao fornecer informações valiosas para elaboração de diagnóstico ambiental, porém, quando uma das finalidades do Centro é a reintegração do animal ao meio e a preocupação para que esse permaneça o mais íntegro possível, não só está sendo demonstrado um profundo respeito à vida, mas também um avanço de natureza humanitária.

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